O mundo esvai-se em sentidos...
Decrépitos e torpes em espírito.
Resignados e sedentos de emoção.
O frio gela os mais astutos,
É vil companheiro da solidão!
Quem olha vê, mas ignora o que vê.
Cruzam-se as almas isentas de comunhão.
O desditoso piamente crê.
Que num ensejo a caridade lhe abrace a mão.
Clama ao céu o pão duro desdenhado e o agasalho de um lar,
morada divina, onde o bem-aventurado possa enfim repousar!
Atiçam nos prudentes o pungente nojo.
E cautelosamente revelam o estojo!
Olvidam-se que a vida é exígua, independente do tostão.
Estranham a humana lei, que em má hora acabarão!
Vestem-se de ouro e de tecidos nobres.
Ignoram que a luxúria falsas amizades colhe!
Despem-se de invejas e de muita sorte,
e a desdita vem faminta e a todos tolhe!
Cegam-se ao arbitrar que quem tem pouco deve!
Porém não calam os carmes de morte.
Andam bonançosos de ânimo leve.
Desgastam sem sentido a alma“nobre”!
Otários da vida que cuidam que são.
Cospem a esmola em troca do perdão!
Pobres ricos miseráveis que a terra não esquece...
Cuja alma acto após acto impiamente amortece!
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